Detenção de 53 Cristãos no Irã: Acusados de Espionagem e Evangelismo

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Nos últimos dias, o Irã tem sido palco de uma grave crise envolvendo a perseguição a cristãos evangélicos. A Inteligência do país prendeu 53 fiéis, acusando-os de espionagem, propagação de literatura bíblica e ligação com redes estrangeiras. A seguir, entenda o que está acontecendo, o contexto dessas acusações e como a comunidade cristã global está reagindo.

Contexto: Prisões em Massa e Acusações Sem Provas

Segundo o Ministério da Inteligência iraniano, as prisões ocorreram nas últimas semanas, num contexto de repressão após um conflito com Israel — apelidado de “guerra de 12 dias”. As autoridades alegam que os detidos faziam parte de uma rede “sionista evangélica” e recebiam treinamento religioso no exterior para atividades anti-segurança, com apoio de serviços de inteligência estrangeiros, especialmente de Israel e EUA.

Em um vídeo transmitido na televisão estatal, foram exibidos os detentos acompanhados de Bíblias, Novo Testamento, literatura cristã e até manuais do grupo Alcoólicos Anônimos — objetos que o governo afirma terem sido “contrabandeados” para o país.

Denúncias de Discurso de Ódio e Judicialização Arbitrária

Mansour Borji, diretor do Article-18, entidade com sede em Londres que documenta violações à liberdade religiosa, qualificou as acusações como “um claro exemplo de discurso de ódio”, mirando não apenas os presos, mas toda a comunidade evangélica iraniana. Ele alerta que a mensagem velada é de que “todos os evangélicos são associados da Mossad” — agência de inteligência israelense.

Além disso, Borji criticou veementemente o uso de confissões forçadas em programas de TV estatais, prática considerada uma violação fundamental dos direitos dos acusados. Ele ressaltou que, se houvesse real confiança nas acusações, as autoridades permitiriam a visita de uma delegação internacional aos detentos.

Impasses Jurídicos e Violação de Direitos Fundamentais

Fontes como o grupo Zenit e o Premier Christian News reforçam que, de acordo com advogados e defensores dos direitos humanos, os detidos dificilmente terão um julgamento justo. Muitos não têm acesso a advogados independentes, são sujeitos a tortura e comparecem em juízos sem imparcialidade.

Estima-se que, dos 53 detidos, ao menos 11 foram liberados mediante fiança, enquanto mais de 40 permanecem presos. Além disso, outras dezenas já cumprem pena por motivos religiosos semelhantes.

Histórico e Contexto da Perseguição aos Cristãos no Irã

A distinção feita pelo governo iraniano entre cristãos reconhecidos — como os armênios e assírios — e novos convertidos intolerados é antiga. Os primeiros podem cultuar em seus idiomas e são tidos como “fiéis ao regime”; já os novos convertidos, majoritariamente persas, enfrentam criminalização de práticas religiosas, inclusive de ler a Bíblia em persa.

Desde o pós-guerra Irã–Iraque, passando pela revolução de 1979, esses convertidos têm se reunido secretamente em lares ou buscado apoio espiritual fora do país, justamente pela impossibilidade de cultuar livremente em território iraniano.

Reportagens anteriores documentam prisões, acusações de conspirar, espionar e se reunir com “grupos hostis” — inclusive com base em simples atos de fé como o batismo ou cultos coletivos. A ONU já alertou sobre o uso de cenários pós-conflito para intensificar a repressão.

Repercussão Internacional e Caminhos de Apoio

Desde 2022, órgãos como a Comissão de Liberdade Religiosa Internacional dos EUA apontam o Irã como um dos países com violações sistemáticas e graves à liberdade religiosa. Esses relatórios pedem medidas de denúncia, auxílio a perseguidos e reclassificação do país como “prioritário para preocupação”.

ONGs como Article-18 e Church in Chains na Irlanda vêm intensificando sua atuação, realizando eventos, promovendo visibilidade internacional, arrecadando apoio diplomático e humanitário — ações vitais para manter a esperança acesa entre os irmãos perseguidos.

Em momentos como este, somos convocados a:

  • Orar fervorosamente pelos irmãos presos, por suas famílias e pela conversão dos corações daqueles que os acusam;
  • Compartilhar essa história nas redes, para que mais cristãos sejam conscientizados e mobilizados;
  • Apoiar organizações que atuam pela liberdade religiosa e pelos direitos humanos no Irã;
  • Viver em autenticidade a fé em Jesus, mesmo quando isso gera custo.

"Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, pois deles é o Reino dos céus." — Mateus 5:10 (NVI)

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