“Os novos judeus do Nordeste”: nordestinos redescobrem raízes judaicas e despertam atenção de Israel
Nos últimos anos, um fenômeno espiritual e cultural vem ganhando espaço no Nordeste brasileiro: homens e mulheres que cresceram em tradições evangélicas ou católicas abraçam o judaísmo ortodoxo e se apresentam como bnei anussim — termo que, em hebraico, significa “filhos dos forçados”.
Segundo reportagem da BBC, lideranças como Flávio Santos, que hoje dirige a sinagoga Beitel em Messejana (Fortaleza), revelam ter redescoberto práticas judaicas guardadas por suas famílias durante séculos. “Descobri traços no comportamento da minha avó — como não apontar para estrelas na sexta-feira à noite — que só passaram a fazer sentido dentro do judaísmo”, relata ele.
De evangélicos e messiânicos ao judaísmo ortodoxo
O grupo Beitel, por exemplo, nasceu de uma igreja evangélica local que migrou para o judaísmo messiânico — uma mistura de liturgias judaicas com a fé em Jesus — até finalmente optar pelo judaísmo ortodoxo, considerado, por eles, uma expressão mais autêntica e fiel às raízes bíblicas.
Em Recife, a antiga Synagoga Israelita, fundada em 1926 por imigrantes europeus e frequentada pela família da escritora Clarice Lispector, hoje atrai majoritariamente bnei anussim, demonstrando essa mudança demográfica e espiritual .
Ancestralidade redescoberta: entre DNA e tradição oral
Parte desse despertar tem origem em testes genéticos, pesquisas genealógicas e reconstituição de árvores familiares, que apontam para laços desconhecidos com o judaísmo sefardita — a linhagem que remonta aos judeus expulsos da Península Ibérica.
Como aponta reportagem do Diário do Povo, o movimento envolve dezenas de milhares de nordestinos: estima-se que mais de 30 mil brasileiros se identificaram como bnei anussim ao longo dos últimos anos . A combinação entre religiosidade popular e a valorização da ancestralidade têm sido forças poderosas para esse retorno espiritual.
Israel e os desafios da redenção
Esse renascimento é acompanhado de expectativa de reconhecimento por parte do Estado de Israel. Muitos bnei anussim buscam a <1>a aliá1>
— ou seja, a cidadania israelense — mas enfrentam entraves burocráticos ou culturais junto a instituições judias tradicionais.Em cidades como Tibau (RN), há sinagogas autônomas com estruturas completas: celebrações em hebraico e ladino, abate kosher, circuncisão, e até melodias tradicionais nordestinas adaptadas para cantos litúrgicos — expressando uma junção viva de fé e cultura.
A Agência Judaica e o Ministério da Religião de Israel foram acionados, mas não responderam sobre as queixas de que os bnei anussim são discriminados nos processos de seleção para aliá. Ainda assim, especialistas como a educadora Jacqueline Passy defendem que, com o tempo, Israel reconhecerá o valor desse movimento.
História que ressuscita tradição
O êxodo ibérico e os séculos de repressão religiosa deixaram marcas profundas. No Nordeste, sob domínio holandês no século 17, alguns cristãos-novos chegaram a praticar o judaísmo abertamente. Após a expulsão dos holandeses, a prática foi reprimida, mas vestígios sobreviveram em comunidades isoladas.
O documentário A Estrela Oculta do Sertão, de 2005, já registrava comunidades com práticas judaicas no Seridó potiguar, sobrevivendo como herança oculta da Inquisição.
O significado para o povo cristão-evangélico
Para o leitor evangélico, essa história representa um chamado à reflexão sobre raízes religiosas, memória espiritual e liberdade de expressão de fé. O retorno dessas pessoas à tradição judaica reafirma a importância da genealogia espiritual e a coragem de seguir convicções profundas, mesmo em meio a controvérsias.
Esse é um convite para nossa comunidade: valorizar nossas origens, compreender que fé envolve legado e conscientizar-se das lutas de quem busca pertencer a uma identidade divina e ancestral.
Desafios e esperanças
- Identidade redescoberta: A jornada dos bnei anussim inspira a reconectar fé e história familiar.
- Resistência e acolhimento: A busca por reconhecimento em Israel mostra que ser parte do povo de Deus pode exigir persistência e cura de feridas históricas.
- Unidade na diversidade: Essa experiência nos desafia a enxergar além de rótulos denominacionais e valorizar a fé genuína em Cristo e sua soberania sobre nações.
O surgimento dos “novos judeus do Nordeste” é muito mais que uma curiosidade jornalística — é um testemunho vivo de fé, identidade e esperança. Que suas trajetórias nos inspirem a buscar nuestras raízes espirituais com profundidade e a honrar a pluralidade de histórias que Deus permite florescer.
Versículo final: “E espíritos humanos se convertem à verdade, para que Paulo pregue entre os gentios e cumpram-se as promessas de Deus.” (Romanos 15:18-19 adaptado)
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Com informações da BBC